Sede de demissão como Procurador Anticorrupção por sua sociedade no Panamá

O procurador Anticorrupção, Manuel Interesse, apresentou a sua demissão nesta quinta-feira depois que se revelou que tem em 2012 a 25% de uma sociedade offshore no Panamá, sob a qual se camuflagem da propriedade de um chalé em santarem, que tanto ele como seus três irmãos receberam como herança de seus pais, acabou forçando a sua demissão.
Sede apresentou a sua demissão irrevogável ao procurador-geral do Estado, José Manuel Maça esta manhã.
Depois disso, a Maça foi anunciada em uma audiência dos meios de comunicação na sede da Procuradoria-Geral do Estado a demissão do até agora procurador Anticorrupção, embora, segundo explicou, tentou convencê-lo de que permaneceria no cargo porque “não há motivos para a sua demissão”.
Julgamento de Maça não existiu no comportamento de Interesse “qualquer tipo de ilegalidade ou irregularidade, nem incompatibilidade”
Conferência de imprensa de surpresa,
A Procuradoria Geral do Estado havia convocado uma conferência de imprensa hoje pela manhã, para explicar a situação do procurador anticorrupção Manuel Interesse.
A convocação foi surpreendido porque, a essa mesma hora estava marcada uma Assembleia dos Fiscais de Sala que Interesse teria que vir junto com outros membros da cúpula fiscal.
O procurador-geral do Estado, José Manuel Maça, durante a sua audiência de hoje na Procuradoria.MariscalEFE
87 dias no cargo, com polêmicas
O procurador anticorrupção renúncia ao seu cargo, depois de ter permanecido no mesmo apenas 87 dias. Sua gestão foi marcada pela polêmica e os confrontos com outros fiscais por discrepâncias na investigação de alguns assuntos de corrupção como o “caso Lezo”.
O procurador Anticorrupção, Manuel Sede, tornou-se protagonista de uma polêmica por uma empresa familiar localizada no Panamá, que tem 25%.
Sociedade familiar no Panamá
Os Técnicos do Ministério da Fazenda (Gestha) pediram na quarta-feira à Agência Tributária que abra uma inspeção sobre o procurador Anticorrupção, Manuel Interesse, e seus irmãos, para verificar se realmente a sociedade familiar, Duchesse Financial Overseas, radicada na cidade do Panamá, é uma empresa para burlar o pagamento de 90.000 euros em impostos.
Esta sociedade, herdada por Interesse, e os seus três irmãos, após a morte de seu pai, em 2011, é proprietária de um chalé em*madrilenha cidade de lisboa, o que, segundo os técnicos, a inspeção deverá elucidar se necessário levantar o véu societário resultantes para os verdadeiros e os últimos proprietários desta casa.
Neste sentido, Gestha aponta que a aplicação a este caso da Lei do Mercado de Valores determinante para que os irmãos Interesse poderiam ter agido, salvo prova em contrário, com certeza fins de evasão do pagamento do imposto correspondente à transmissão de bens imóveis, quando adquiriu o controle da sociedade panamenha.
O ativo da empresa é formado em pelo menos 50 por cento por imóveis, situados em Portugal, que não está afecto a actividades empresariais ou profissionais.
Sem apego ao cargo
Diante da polêmica suscitada, Manuel Comboios disse ontem que não tinha apego ao cargo e que se percebia que a sua permanência no mesmo prejudica a instituição, que o deixaria.
Antes de saber da decisão de Interesse, o porta-voz do Grupo Popular no Congresso, Rafael Hernando, assegurou que o procurador anticorrupção , pode ter sido “enganado em alguns casos”, como “todas as pessoas”, mas salientou que é “um grande fiscal” e “um homem justo”.
O PP defende a competência do fiscal
Fernando foi rejeitado o plano que o Executivo e o PP se tenham posto de “perfil” e sublinhou que “respeitam” a separação de poderes. “Esse é um assunto que diz respeito à Procuradoria-Geral e ao Conselho Fiscal e aceitaremos o que será decidido”, destaca.
Sem fazer julgamentos éticos
E elogiou a trajetória do procurador Anticorrupção. “A mim me parece que o Interesse, que pode ter errado em alguns casos, como todas as pessoas, podemos nos equivocar ao longo de nossa vida, é um grande fiscal, é um homem justo, um homem de direito e assim o demonstrou ao longo de sua trajetória”, declarou.
Ao ser perguntado se vê ético que participe em uma sociedade ‘offshore’, no Panamá, o porta-voz do Grupo Popular garantiu que ele não faz “juízos éticos”, mas “julgamentos políticos e legais”. “Eu sou o legislador e o que faço é elaborar leis e criticar aqueles que não as cumprem”, concluiu.
Resposta do PSOE e Cidadãos
Por sua parte, o secretário-geral do PSOE, Pedro Sanchez, afirmou nesta quinta-feira que a demissão do procurador Anticorrupção, Manuel Sede, chega “tarde” e evidência de uma “mudança de postura” do Governo, que, em seu entender, está a protagonizar uma “fase negra” da democracia espanhola.
Em declarações aos jornalistas durante sua visita à Feira do Livro, o líder socialista alegou que o Governo há dois dias ele defendia, e que a “mudança de postura” se deve à “pressão dos meios de comunicação e da opinião pública”.
“É mais uma amostra de que este Governo, nem defende a exemplaridade e o prestígio das instituições públicas, nem está colocando sobre a mesa, as medidas para combater a corrupção”, afirmou Sanchez, reiterando que a demissão do procurador Anticorrupção chega “tarde e mal”, porque o Congresso já lhe reprovou há algumas semanas, e então o Governo manteve-o no cargo.
Do Local, o secretário-geral do partido, José Manuel Villegas, afirmou que a demissão de Manuel Interesse como procurador Anticorrupção “chega mal e tarde”, e reclamou que tanto o procurador-geral do Estado, José Manuel Maça, como o ministro da Justiça, Rafael santos marques, abandonem seus respectivos cargos.
Em declarações aos jornalistas no Congresso, Villegas disse que faz tempo que o procurador Anticorrupção tinha que ter pedido a sua demissão. De fato, observou que, certamente “não tinha que ter sido nomeado”, já que era o favorito de um suposto corrupto”, em referência ao ex-presidente da Comunidade de Madrid, Ignacio González, preso em conexão com o ‘caso Lezo’.

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