Por que há que honrar os empresários

Se quer saber uma das principais razões pelas quais os empresários têm má fama no país siga a trilha da educação. Os livros de texto que estudam os nossos filhos ou os ignoram ou os denuestan. A maioria dos autores dos manuais de economia, de história e de geografia desconfiança do mercado, também são reticentes com a globalização e têm uma opinião negativa sobre as multinacionais.
Pode ser que existam mais mitos, equívocos e mentiras sobre os empresários e o espírito empreendedor do que sobre qualquer outro aspecto da economia. Os espanhóis temos sido estigmatizado no passado com uma reputação de maus empresários, de indiferença para o estímulo do risco e lucro, e com a falta de inspiração criativa no mundo dos negócios. Nada mais longe da verdade. Nossa história está repleta de exemplos de empreendedores: a partir dos laneros castelhanos que chegaram a criar verdadeiras multinacionais no início da Idade Moderna, até os negócios andaluzes no novo mundo ou os naranjeros levantinos do século XIX. É certo, porém, que o quadro legal e institucional que até recentemente se encontraram as empresas espanholas não foi o mais propício. Por um lado, um Estado fraco e manipulável -embora fortemente intervencionista – que propiciou a possibilidade de alterar as condições do mercado no seu favor está confirmado para as empresas uma alternativa mais econômica do que a concorrência aberta, e isso fez com que muita da nossa energia e inteligência empresarial se usasse na obtenção de rendas do Estado -impostos, subsídios, isenções, contratos privilegiados – que foram fechando nossa economia, aislándola da concorrência internacional, diminuindo, assim, as oportunidades para os consumidores e impedindo o surgimento de mais homens de negócios.
Por outro lado, o empresariado espanhol teve que enfrentar dois problemas excepcionais. Um foi, e continua sendo, a insegurança jurídica que fazem com que os Governos instáveis e irregulares, que se traduz, por exemplo, a falta de respeito à propriedade privada, a intervenção reguladora imprevisível ou a tributação excessiva e arbitrária. O outro é uma cultura popular anti empresarial, que se transmite nas escolas, os jornais, os fóruns políticos, os púlpitos e a literatura. O Círculo de Empresários acaba de editar um livro intitulado ‘Empresários e bachilleres’, no qual se analisam os manuais que estudam os nossos jovens com um resultado preocupante. Não é difícil que neles apareça o empresário como um predador social, que move os fios do sistema em benefício próprio e contra o interesse geral. Se lhes caricaturiza com freqüência como meros caçadores de rendas públicas. A maioria dos manuais colocam ao mesmo nível da economia de mercado e planejada, que não se aplica porque, em quase nenhum lugar do mundo. As reticências com a globalização são numerosas -lhes culpa de provocar uma desigualdade lacerante – e as multinacionais são injustamente acusados como as causadoras da pobreza, da marginalização e até mesmo da degradação do meio ambiente. Não há nenhum livro de texto que explique com clareza o que é precisamente graças à iniciativa do empresário para que as melhorias materiais que se estendem e se criam oportunidades de emprego.
É difícil definir a origem de tal atitude contrária aos empresários -talvez seja o igualitarismo de tipo religioso, mas foi afetado gerações de espanhóis que têm visto os homens de negócio como meros redistribuidores licenciados parasitas, em vez de verdadeiros criadores de riqueza e de progresso. Dizia lord Keynes em sua Teoria Geral (1936), que “se a natureza humana não sentisse a tentação do risco, ou da satisfação (além do benefício) de construir uma fábrica, uma estrada de ferro, uma mina ou uma fazenda, não teria muito investimento, como resultado do frio cálculo”. Alcançar o reconhecimento geral e o prestígio tem sido, além da busca do próprio interesse, um prêmio que, tradicionalmente, se recusou a nossos capitães de empresa. Felizmente, e apesar dos inúmeros obstáculos, de forma destacada, o que apresenta o sistema educacional, a situação parece que começa lentamente a mudar. A classificação do empresariado entre os nossos jovens indica uma certa evolução no sentido ascendente. As nossas escolas de negócios estão listados na cabeça os melhores rankings internacionais e chegar a ser um empreendedor de sucesso implica já para alguns estudantes de tanto prestígio como se tornar um funcionário público.
O inteligente por parte de qualquer Governo seria propiciar o caminho para a abertura, a internacionalização e a profissionalização de nossa classe empresarial. Mas, infelizmente, o que se observa na estratégia fiscal de alguns líderes políticos, mesmo os que reclamam para si mesmos de centro-direita, é uma insistência má em penalizar as empresas com cargas fiscais que se tornam obstáculos ao seu crescimento e expansão, a modernização e o aumento da contratação de trabalho.
Houve uma época em que o atraso económico e a parvedad do consumo recomendavam que o peso da cobrança do imposto recayese sobre as rendas geradas na produção, mas na atual sociedade de consumo em massa, em que já quase nada está fora do alcance do poder de compra da maioria dos cidadãos e que, além disso, a globalização intensifica a concorrência entre as empresas, cabe perguntar-se que sentido econômico (e de justiça distributiva) tem o peso fiscal recaia sobre o lado da oferta da economia (empresas) e não sobre o consumo. Esperemos que o recente anúncio (ameaça) do Governo no sentido de aumentar a pressão fiscal quase um ponto percentual sobre o PIB durante os próximos anos para cumprir as metas do défice público, marcados pela UE não acabe sendo redirecionado de volta contra o imposto de sociedades. Além de cuidar de seu prestígio e reputação, facilitar o futuro de nossos empresários com baixos tributos e uma regulamentação razoável seria a maneira mais inteligente (na verdade, a única) de assegurar uma saída definitiva da crise e impulsionar o crescimento a longo prazo da nossa economia.
Portugal precisa acabar com as intoleráveis as taxas de desemprego, que tradicionalmente sofre. Isso passa, certamente, por alterações regulamentares no mercado de trabalho, mas requer, muito mais trascendentalmente, que aumente o número de empresários. E, dificilmente, estes são multiplicados se os manuais que estudam nossos jovens os ignoram ou os denuestan, e em todo caso se abstêm de destacar o papel nuclear que representam para o progresso social.

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