Os bancos espanhóis terão que acelerar o seu recurso às barras livres de liquidez do BCE

Duas entidades concentram 66% do recurso total, segundo a Fitch. O objetivo de financiar a economia real, questionado.
O Banco Central Europeu (BCE) leva em 2009, lançando diversos programas de barras livres de liquidez com o objetivo de ajudar as instituições financeiras e facilitar o acesso ao crédito para famílias e empresas. Para este fim, o organismo presidido por Mario Draghi pôs em marcha, em 2016 mecanismos como o TLTRO II (em inglês, operações de refinanciamento de longo prazo), de que a banca espanhola foi uma das mais activas na hora de recorrer.
No entanto, a capacidade de estas barras livres de liquidez para fazer fluir o crédito à economia produtiva parece estar em dúvida. Ao menos esta é a conclusão de analistas da agência de rating Fitch, que em um recente relatório sobre o sistema bancário da zona do euro apontam que é “questionável que os TLTRO venham a atingir o objectivo do BCE de aumentar a oferta de empréstimos para onde são mais necessários”.
Na opinião dos analistas da Fitch, os bancos espanhóis, que não são o aumento do volume de crédito, terão que apelar muito mais durante os próximos leilões do BCE para continuar com o processo de desalavancagem e abrir a torneira do financiamento. “A maioria dos bancos devem ultrapassar os valores estabelecidos pelo BCE para a apelação aos TLTRO, de 2,5% de crescimento durante o ano de 2016 e 2017 tendo-se reduzido durante o primeiro período de referência”, tal como apontam em seu relatório.
Portugal, de forma semelhante a Itália ou Portugal, foram os países em que os bancos têm levado a cabo um maior recurso à liquidez do BCE desde 2009. Tanto, que os LTRO e TLTRO representam entre 15% e 20% dos saldos de financiamento das entidades nesses países, de acordo com cálculos de Fitch. “Mas estes países sofreram as maiores reduções em empréstimos a empresas não financeiras nos últimos sete anos”, acrescentam, aludindo que as entidades têm empregado as facilidades do BCE para gerar receita com o carry trade, ainda que à custa de perder uma quantidade considerável de rentabilidade em suas carteiras de dívida à medida que os cupons de bônus de dívida foram se encolhendo.
Nas mãos de dois bancos
Os analistas da Fitch, em função dos dados fornecidos pelo BCE e as probabilidades correspondentes a cada país, estimam que 15% de financiamento apresentada pelo BCE, em seu último TLTRO foi para os bancos espanhóis. É o mesmo nível de recurso, que o registado pela banca alemã e a metade de financiamento solicitada pelos bancos italianos. As entidades francesas, por sua vez, concentraram 20% dos recursos dispostos por Draghi.
Em seu relatório, a Fitch aponta que o financiamento exigida pelos bancos espanhóis, esteve longe de ser repartida. De fato, segundo seus cálculos, dois terços de toda a liquidez foi parar duas únicas entidades financeiras espanholas, mostrando, assim, uma “grande concentração”.

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