Assim é a nova economia do desporto em Portugal

O CSD divide o emprego e a actividade empresarial.
A quantas pessoas emprega o esporte em nosso país? Quanto dinheiro público é investido no esporte em Portugal? Qual o número de empresas que se dedicam ao setor esportivo? São algumas das perguntas que tentamos responder o Anuário de Estatísticas Desportivas que elabora o Ministério de Educação, Cultura e Desportos (MECD), junto ao CSD, e que em sua quinta edição disecciona, ao longo de mais de 200 páginas, os resultados mais relevantes de um setor estratégico em Portugal.
Tanto MECD como CSD compartilham opiniões sobre este relatório, pelo que consideram “uma ferramenta imprescindível para o setor”, que, além nasce de várias fontes e observa-se a partir da transversalidade tentando não perder de vista as múltiplas variáveis que compõem este setor.
Tendo em conta os dados mais relevantes do referido relatório, cabe destacar as figuras surgidas em torno do emprego, as empresas ligadas ao esporte e o gasto público no setor.
Quase 200.000 postos de trabalho
No que diz respeito ao emprego, o Anuário de Estatísticas Desportivas 2017 teve em conta todo o trabalho que se desenvolve em empresas dedicadas a atividades esportivas, tais como a gestão de instalações, as atividades dos clubes e academias de ginástica ou a fabricação de artigos de desporto. Os resultados dessa exploração indicam que o volume médio anual de trabalho vinculado ao esporte ascendeu, em 2016, a 194.000 pessoas, o que representa em termos relativos 1,1% do emprego total.
O ponto realçado quando se compara com os números do resto dos países europeus. Portugal coloca-se como o terceiro país da Europa com maior número de pessoas empregadas, apenas atrás do Reino Unido (mais de 400.000) e Alemanha (mais de 220.000) e à frente de países como a França (175.000), Itália (117.000) ou Portugal (menos de 50.000).
De volta à Espanha, o estudo revela diferenças em relação ao emprego total registrado por trechos de idade, com uma proporção de jovens de 16 a 24 anos, 19%, contra 4,5% observado no conjunto do emprego, e de pessoas de 25 a 34 anos, 28,9% contra 20,6% observado no total. Além disso, o emprego ligado ao esporte caracteriza-se também por uma maior formação académica superior à média, apresentando taxas de educação superior mais elevadas do que as observadas no conjunto nacional, 49,8% contra 42,1%.
De outro lado, demonstra-se que 89% do emprego vinculado ao esporte é assalariado, o que representa um valor superior à observada no emprego total, e apresenta, em adição, as taxas de temporalidade e de emprego a tempo parcial mais elevadas para as cadastradas no total de emprego.
Rede empresarial esportiva
Quanto às empresas que constituem o seu objeto de negócio no setor esportivo, o estudo de MECD e CSD revela, de acordo com o Diretório Central de Empresas (DIRCE), que no início do ano passado, o número deste tipo de sociedades ascendeu a 33.071, o que representa cerca de 1% do total de empresas. Além de confirmar a tendência ascendente desde que, neste estudo, faz-se público, confirma-se que o 79,2%, ou seja, um pouco mais de 26.000 empresas se dedicam a atividades esportivas, tais como a gestão de instalações, as atividades de clubes esportivos ou de academias de ginástica. 0,6% dedica-se principalmente à fabricação de artigos de desporto, enquanto que as empresas dedicadas ao comércio a retalho de artigos de desporto, em estabelecimentos especializados representam 20,2% do total.
Quanto ao seu tamanho, o 42,2% são empresas sem empregados, 43,1% de tamanho pequeno, de 1 a 5 trabalhadores, o 13,6% têm de 6 a 49 empregados e 1,1% são empresas de maior tamanho, de 50 empregados em frente.
Despesa pública
Antes de aprofundar os números obtidos a partir da pesquisa, o Anuário de Estatísticas Desportivas 2017 esforça-se por ressaltar a importância da concepção do gasto público no esporte como a despesa liquidada destinado ao esporte, em sua fase obrigações reconhecidas, as diferentes administrações públicas, isto é, na qualidade de financiador e não do receptor.
Quanto aos indicadores, o relatório refere-se aos dados da Administração Geral do Estado, pela Administração Regional e pela Administração Local. Os resultados indicam que, no exercício de 2015, a despesa liquidada em esportes pela Administração Geral do Estado situou-se em 139 milhões de euros e a Administração Autonômica em 299 milhões, números que representam em termos do PIB, o 0,01% e 0,03%, respectivamente. No que diz respeito à Administração Local1, a despesa liquidada em 2015, 2.115 milhões de euros, é o valor de 0,20% do PIB.
Quanto à tipologia da despesa aplicam-se três indicadores principais com suas respectivas subseções. Assim, por exemplo, com base na despesa liquidada por cálculo de Administrações Locais, entidades locais, prefeituras e câmaras encarregadas em último lugar de executar os investimentos, encontramos que para o referido exercício dos 2.115 milhões de euros investidos, pouco mais de 1.727 milhões de euros corresponderam a despesas correntes entre os que se incluem as despesas de pessoal, despesas correntes de bens e serviços, despesas financeiras e transferências correntes.
Em outra categoria são mencionadas as despesas de capital (investimentos reais e transferências de capital), que se situaram em 376.000 euros, enquanto que os ativos e passivos financeiros não alcançou por pouco os 12.000 euros. Cabe ressaltar, além disso, as Comunidades Autónomas que mais dinheiro investem no esporte. Em primeiro lugar aparece a Catalunha, que, segundo o estudo, destinou 644.000 euros por pouco mais de 619.000 de Andaluzia e os 585.166 da Comunidade de Madrid.

About author