A UE e a China não conseguem assinar uma declaração conjunta sobre o clima por disputas comerciais

A União Europeia e a China realizavam uma reunião hoje, em Bruxelas, para dramatizar uma maior cooperação em matéria de clima e comercial.
O momento era ideal: apenas um dia depois de Donald Trump, presidente dos estados UNIDOS, anunciar que deixa o Acordo para o Clima de Paris e a UE se oferecesse a ocupar a liderança mundial na luta contra a mudança climática. Mas o encontro terminou em fiasco. Ao menos nas formas.
Embora os líderes europeus têm a certeza que se aproximaram posturas em muitos aspectos, a realidade é que têm sido incapazes de assinar uma declaração conjunta, que costuma ser o objetivo final deste tipo de picos.
Qual a razão? As demandas do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, de mais garantias que a China vai ter o estatuto de Economia de Mercado, o que facilitaria o acesso das empresas chinesas no mercado comunitário. Mas isso é algo a que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o do Conselho, Donald Tusk, se recusaram, conforme explicam fontes comunitárias.
Juncker tem tocado neste tema na conferência de imprensa conjunta após a cimeira, quando afirmou: “Tanto em aço como em relação ao artigo 15 e a disputa que a China introduziu no âmbito da OMC, fomos capazes de reduzir as diferenças, mas não estamos lá ainda”.
O rascunho de declaração havia circulado amplamente pela capital europeia nos últimos dias e mostrava o compromisso de ambas as potências em “acelerar a sua cooperação” na luta contra a mudança climática e declararem o “viragem irreversível” para abandonar os combustíveis fósseis.
O que não houve no papel, tem suplido Tusk na retórica, ao classificar o encontro como “o mais bem-sucedido, rico e promissor da história” entre Pequim e Bruxelas.
“Enquanto a China e a UE comprometem-se com as futuras gerações, EUA comete um erro histórico […] A luta contra a mudança climática, e toda a investigação e o progresso que trará consigo, vai continuar avançando, com ou sem os EUA”, disse Tusk, em uma conferência de imprensa. O líder polonês qualificou de “lamentável” a decisão do presidente dos estados UNIDOS de abandonar o acordo de Paris.
Li, em contrapartida, não foi mencionado de forma direta as questões climáticas e centrou-se nas comerciais. O mais longe que chegou foi a de dizer que uma parceria UE-China “vai ser muito útil para um mundo cada dia mais instável”.
Mas o fracasso da encenação não quer dizer que não tenha havido nenhum avanço. O compromisso da China com o Acordo Paris parece firme e a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, e o presidente da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento da China, Eu Lifeng, assinaram um memorando de entendimento pelo qual se comprometeram a iniciar um diálogo sobre o controlo dos auxílios de estado. Serão criados alguns grupos de trabalho se reunirão pelo menos uma vez por ano para aproximar posições.

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